Desporto – Um mercado de futuro e crescimento económico

 

Por: José Manuel Constantino
Presidente do Comité Olímpico de Portugal

O desporto é hoje um sector em crescimento acelerado, com um impacto económico relevante no espaço europeu e uma representação nas economias nacionais comparável ao conjunto do sector da agricultura, floresta e pescas, representando mais de 2% do PIB global da União Europeia (UE) e 3,5% do total de emprego na UE, com uma forte incorporação de tecnologia, inovação e desenvolvimento, e um ritmo de crescimento consideravelmente superior à média da economia europeia.

Contudo, apesar destas estatísticas relevantes atualizadas pela Comissão Europeia desde que o desporto foi inscrito no Tratado de Lisboa, o impacto da economia do desporto é ainda consideravelmente negligenciado desde o desporto de base recreativa até ao alto rendimento e espetáculo desportivo, passando pelo consumo de bens e serviços desportivos das famílias ou o investimento privado e patrocínio no sector.

Verifica-se, não só no plano económico, mas também no plano político e social, inúmeras fragilidades que comprometem tirar o melhor partido de um mercado cujas potencialidades são universalmente reconhecidas e inscritas nos mais diversos documentos de referência como fatores críticos de desenvolvimento, nomeadamente no quadro da Agenda 2030 e dos seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Esta tendência assume, no nosso país, contornos particularmente acentuados, pois historicamente tem-se vindo a agudizar o desequilíbrio entre o valor socioecónomico que o desporto gera e o contributo que a sociedade confere à sua sustentabilidade e desenvolvimento, nomeadamente o que provem do sector privado e das famílias.

Tal circunstância compromete não só a sustentabilidade do modelo de financiamento, mas também a inovação e a competitividade das organizações desportivas no fomento de uma cadeia de valor desde os níveis mais elementares até à excelência desportiva, com naturais consequências nos indicadores de prática desportiva e resultados desportivos no panorama internacional.

O Orçamento do Estado para 2018 introduziu um conjunto de alterações que procuram corrigir alguns destes condicionalismos, fundamentalmente no âmbito do mecenato, no quadro de um pacote alargado de medidas oportunamente apresentadas na Assembleia da República, as quais se espera virem a concretizar, mormente no que respeita ao estímulo do dirigismo desportivo benévolo, da publicitação de entidades mecenas ou isenção fiscal no apetrechamento desportivo e no IRC de federações dotadas de utilidade pública desportiva.

Portugal é hoje um país exportador de talentos e conhecimento técnico em diversas modalidades desportivas, com protagonistas internacionalmente reconhecidos neste mercado global, reunindo no seu território condições únicas no turismo desportivo, apreciadas, reconhecidas e valorizadas por atletas e equipas de referência mundial que aqui preparam a sua participação nas mais importantes competições internacionais.

Também por isso, o desporto representa um investimento de baixo custo e elevado impacto na internacionalização da nossa economia, na afirmação da imagem externa do país e na difusão da cultura lusófona, que invariavelmente recorrem aos seus protagonistas para efeitos promocionais.

Valendo muito mais do que aquilo que custa ao país afigura-se crucial, num contexto global de enorme competitividade, o engenho empreendedor e visão de futuro do tecido empresarial para internalizar e potenciar estas mais-valias no seio do sistema desportivo, apostando no seu desenvolvimento e dotando-o dos mais avançados recursos para que possam melhor servir o país e continuar a desenvolver a sua economia.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *